Após a leitura apaixonante do livro de Daniel Barenboim, “A música desperta o tempo”, não poderia deixar de compartilhar com vocês um trecho muito emocionante que ele escreveu a propósito da nossa querida Waltraud…
Falava a propósito da Orquestra West-East Divan, onde eles discutiam a possibilidade de tocar Wagner ou não. Decidiram tocá-lo, e lá é melhor mergulhamos nas palavras do prórpio Daniel…
“… No verão seguinte, Waltraud Meier estava conosco em Pilas, para participar nas atividades e repetir a Nona Sinfonia de Beethoven, que cantou conosco cinco vezes este verão. A tarde após a sua chegada, a pedi de aquecer a sua voz antes da repetição com orquestra porque tínhamos uma surpresa para ela. Ela pensava ouvir a repetição da Primeira Sinfonia de Brahms, igualmente ao programa da nossa turnê de concertos, e estava difícil de ela conter a sua curiosidade. Quando ela ouviu o início do Prelúdio de Tristan und Isolde, visivelmente ficou comovida; e, enquanto que a sala de repetição estava cheia de visitantes que se interessavam ao programa, para além de alguns jornalistas - que formavam uma espécie de público -, ela virou-lhes as costas, e olhando de frente para a orquestra, começou a cantar o Liebestod. Todos - Waltraud, a orquestra e eu – ficamos muito comovidos com a experiência. Viver a experiência de ouvir essa maravilhosa cantora alemã, comunicar com Árabes e Israelianos através da música de Wagner, foi como uma libertação da influência de tantos espíritos opressores, de tanto tabus. ”
As palavras de Daniel Barenboim tocam-me muito e proporciona-nos também a possibilidade de mergulhar um pouco no coração da Waltraud Meier… onde podemos descobrir alguém muito sensível, simples, que não tem medo de se doar, pelo contrário, doa-se com toda a força e amor da sua alma.
Obrigada Daniel Baremboim pelo seu maravilhoso livro!









